N° 0985 - PORTO DOS VENTOS - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA
Elyasi chegou ao Porto dos Ventos . Diferente dos portos comuns, ali não havia mar; as embarcações, feitas de carvalho leve e velas de seda, flutuavam sobre um oceano de nuvens perpétuas. Naquelas estruturas, o vento não era apenas clima era destino. Elyasi buscava o Vento Leste, o único capaz de devolver a voz a quem a entregara por amor. No cais flutuante, o Velho Sopro guardião de pele rugosa entregou-lhe um búzio de prata. "O vento não se comanda, Elyasi. Ele se convida", alertou o ancião. Ao soprar o instrumento, um redemoinho dourado surgiu das profundezas do nevoeiro, balançando os navios ancorados em uma valsa desordenada. O Porto dos Ventos revelou sua magia: Elyasi sentiu as palavras vibrarem novamente em sua garganta. Ele não precisava mais de barcos. Com o peito cheio de ar e a alma leve, percebeu que o porto era apenas o começo agora, ele próprio era a vela e o caminho. Então o Velho Sopro apontou para o horizonte onde as nuvens se abriam como ...









