N° 0978 - A MARCHA DOS TAMBORES - SÉRIE: CRÔNICAS DE MAYANDEUA
Cartas de Mayandeua para o Alter do Chão No coração daquela terra santarena, onde o tempo dança ao ritmo das marés e o vento traz segredos sussurrados por folhas de buriti, a marcha começou não apenas dos pés, mas do peito, do sangue, da alma ancestral que pulsava em cada tambor. O Congo havia despertado. Os batuques ecoaram primeiro como murmúrio distante, quase tímido. Depois cresceram. Cresceram até se tornarem um rugido cadenciado que abraçava a paisagem inteira e o chão parecia respirar junto, levantando poeira dourada sob o sol escaldante como se a própria terra quisesse dançar. Rei e Rainha caminhavam à frente. Suas coroas reluziam como estrelas que escolheram cair aqui, neste chão, entre este povo. Não eram enfeites. Eram símbolos vivos de uma realeza que nenhum papel assina tecida nas linhas invisíveis da memória coletiva, passada de mão em mão como brasa que recusa apagar. Nos altos dos mocorongos, as princesas desfilavam em suas folias encantadas. Cada fita colori...





.png)



