N° 1016 - O ROSTO DE MAYA - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA
Na primeira manhã do mundo, quando Mayandeua ainda existia apenas no pensamento da Grande Maya, o Sol e a Lua nasceram dentro da mesma concha. A maré trouxe essa concha até a praia e a deixou sobre a areia úmida, diante dos olhos atentos dos Caruanas. Eles não se aproximaram. Sabiam que aquilo não era um objeto comum. Quando a concha se abriu, surgiu um rosto dividido pela luz e pela noite. De um lado, o Sol ardia com seus raios. Do outro, a Lua guardava o silêncio das águas profundas. No centro, um único olhar parecia conhecer os caminhos da ilha antes mesmo de eles existirem. Os Caruanas compreenderam o sinal. Aquele rosto protegeria o equilíbrio entre os homens, os animais e os encantados. Desde então, sua presença não ficou presa ao céu. Passou a viver nas raízes dos manguezais, onde a condessa se abriga durante a maré alta. Entrou nas copas dos bacurizeiros, nos ninhos dos pássaros, na areia das dunas e nas águas que cercam Mayandeua. Durante o dia, o lado solar percorre os ...









