Nº 0972 - ATLÂNTICO PARAENSE - SÉRIE: CONTOS DE MAYANDEUA
Foi a água que comandou. Desde os primórdios, ela dita as regras, traça os caminhos e escreve as histórias. No Atlântico Paraense, onde o mar encontra a vastidão do céu e os ventos carregam o perfume das fontes ocultas, a vida se desenrola em ciclos marcados pelas marés. É nesse espaço de mistério e beleza que os pescadores encontram seu destino. As águas são mais do que um elemento físico são uma força cósmica, guiadas pela vazante das estrelas, pelo calor do sol e pela suavidade da lua. Esses astros, tão distantes e ao mesmo tempo tão presentes, conversam com o alto mar e criam uma solidão que é, paradoxalmente, plena de vida. Sol e lua não apenas iluminam o oceano: tocam a alma dos homens que nele navegam. Foi a água, com sua sabedoria silenciosa, quem decretou a geração dos pescadores aqueles que vivem entre o movimento sutil da pré-maré e a imobilidade contemplativa do isolamento no largo. Quando a água chama o vento, algo se transforma. O Atlântico desperta para um est...









