N° 0980 - O MENINO QUE QUERIA SER VENTO - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA
Antes de ter nome, ele já tinha direção. Nascia para o vento como as sementes nascem para o ar sem escolha, sem hesitação, com a certeza silenciosa das coisas que simplesmente são. Enquanto o mundo ao redor se contentava com cheiros fabricados e sons repetidos, ele buscava o que não podia ser guardado: o perfume da folha molhada, o canto sem dono dos pássaros, o murmúrio das árvores que falam apenas para quem aprendeu a ficar quieto. Quando lhe perguntavam o que seria, respondia com um sorriso que carregava mais do que palavras podiam carregar: "Eu quero ser um vento." Não era resposta de criança. Era profecia. A rede de dormir foi seu primeiro templo. Ali, embalado pelo ritmo de Mayandeua que só o vento conhece de verdade, ele aprendia a língua das coisas invisíveis a gramática das folhas em movimento, a sintaxe da luz ao entardecer desenhando runas sobre sua pele. E nos sonhos que a rede oferecia, uma roda-gigante surgia no horizonte de uma praia sem fim, com engrena...







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