N° 0988- ROUPA SECANDO NO VARAL - SÉRIE: CRÔNICAS DE MAYANDEUA
(Direto e Mayandeua) Existe um momento do dia que quase desapareceu das cidades. Um instante simples. Quieto. Tão comum que ninguém dava importância. O momento em que a roupa secava no varal. Antigamente, o quintal tinha função. Não era apenas espaço vazio entre muros. Era território da casa. Lugar onde o tempo caminhava devagar. O varal atravessava aquele cenário como parte natural da vida. Estava ali entre a árvore, o tanque e o rádio ligado baixo em alguma emissora distante. As roupas recém-lavadas balançavam ao vento enquanto o sol fazia seu trabalho sem ninguém perceber. E havia o cheiro. Talvez seja isso que mais ficou na memória de quem viveu aquele tempo. O cheiro chegava antes da visão. Vinha pelo corredor da casa, atravessava a janela, misturava-se ao café da manhã e ao barulho das panelas na cozinha. Era cheiro de sabão simples, de água limpa, de tecido aquecido pelo sol. Nenhuma máquina conseguiu copiar aquilo. Hoje as roupas saem secas em poucos minutos. Quentes. Prontas. ...









