N° 0981 - O MAR E AS CORDILHEIRAS - SÉRIE: CRÔNICAS DE MAYANDEUA
Como se desfaz um nó tecido de silêncio? Não com pressa mas com a coragem de olhar para o centro do laço. Entre o que dizemos e o que engolimos, emergem gestos, olhares, meio sorrisos: barcos que partem sem destino e chegam onde precisam. Os oceanos que cruzamos não pedem permissão. Eles rugem, seduzem, engolem e devolvem sempre diferentes os que regressam à margem. Esses mares carregam talismãs invisíveis. Brilham para quem ousa se perder neles. E as páginas da vida ah, essas páginas não escolhem entre a serenidade e o medo: elas os escrevem juntos, com a mesma mão. Somos navegadores inconstantes. Os ventos que nos movem são nossos próprios e é exatamente por isso que às vezes nos perdem. Nos capítulos que ainda não viraram, o peso nos espera: expectativas que ficaram no cais, sonhos que perderam o barco, o velho impulso de ser mais do que o espelho devolve. Esse espelho está quebrado. Sempre esteve. E seus cacos refletem não o que somos ...








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