N° 0992 - O SONHO DA MUCURA RONYYRE - SÉRIE: CONTOS FANTASTICOS DE MAYANDEUA



No Reino Encantado de Maya, onde as árvores conversavam com o vento e os lagos guardavam histórias mais antigas que o tempo, vivia uma jovem mucura chamada Ronyyre.

Ela tinha olhos grandes como luas nascentes e um rabo ágil que a ajudava a percorrer as raízes dos grandes mangueiros. Diferente das outras mucuras, porém, Ronyyre carregava um sonho estranho. Enquanto seus irmãos procuravam frutos maduros e sementes entre as folhas, ela passava as noites observando o céu.

Para ela, a Lua não era apenas um astro.

Era uma semente de prata plantada pelos deuses nas terras invisíveis do firmamento.

Toda noite, sentada sobre uma pedra à beira do Lago dos Espelhos, imaginava como seria tocar aquela luz distante.

Numa noite de lua cheia, quando o céu parecia tecido de estrelas, algo extraordinário aconteceu.

Ronyyre aproximou-se a flor de uma planta encantada que flutuava silenciosamente sobre as águas. No centro da flor repousava uma gota cristalina, formada pelo reflexo perfeito da Lua.

Movida pela curiosidade, ela bebeu aquela luz líquida.

No mesmo instante, sentiu o corpo tornar-se leve como uma pluma.

O peso desapareceu.

O chão afastou-se lentamente.

E diante dela surgiram degraus invisíveis, esculpidos pelo próprio vento.

Sem medo, Ronyyre começou a subir.

Escalou o ar como quem sobe uma montanha feita de nuvens.

Passou pelas copas dos mangueiros.

Atravessou bandos de pássaros encantados luminosos.

Viu rios de estrelas correndo entre os planetas.

Quanto mais alto subia, mais o universo parecia revelar seus segredos.

No meio da jornada surgiu um  Guardião de um Portal de Maya.

Era um Curupira de cristal, com cabelos feitos de constelações e olhos brilhantes como diamantes.

Ele bloqueou a passagem e perguntou:

— Pequena mucura, o que buscas tão longe de tua terra?

Ronyyre ergueu o olhar e respondeu:

— Não procuro distância. Procuro a luz que nunca se apaga.

O guardião permaneceu em silêncio.

Nenhuma criatura havia lhe dado uma resposta tão simples e tão verdadeira.

Então abriu um sorriso.

Com um sopro suave, criou um redemoinho de estrelas que envolveu a pequena viajante e a lançou através do grande oceano celeste.

Quando finalmente alcançou a Lua, Ronyyre descobriu que ela não era uma semente.

Era algo ainda mais belo.

Era um jardim de luz eterna.

Ali não havia fome.

Não havia medo.

Não havia fim.

Apenas brilho.

Ao tocar aquele solo prateado, seu corpo transformou-se lentamente em milhares de pequenas centelhas luminosas.

Seu espírito espalhou-se pelo céu, formando uma nova constelação.

Desde então, os habitantes do Reino Encantado de Maya olham para o firmamento e reconhecem a figura da pequena mucura desenhada entre as estrelas.

Os pescadores a seguem durante as noites escuras.

Os viajantes pedem sua proteção.

As crianças escutam sua história antes de dormir.

E dizem que, quando alguém sonha com coragem suficiente para seguir o impossível, uma estrela da Constelação de Ronyyre brilha um pouco mais forte.

Porque ela descobriu aquilo que poucos compreendem: O tamanho de uma criatura nunca determina a grandeza do seu destino.

Às vezes, basta acreditar em um sonho para encontrar um caminho até o infinito.


- Assim narrou Primolius...

O guardião das histórias do Reino Encantado de Maya.


FIM

Copyright de Britto, 2023

Projeto Literário e Musical Primolius N° 0992



Mensagens populares