Nº 1006 - RUMO AO SOL - SÉRIE: A POESIA DE MAYANDEUA
Um poema em 8 passos
Eu caí
sem teu porto,
tu vento
sem direção.
Caminhei por dias
sem saber o rumo
entre marés e dúvidas
onde o chão é incerto
e o céu não responde.
Procurei teu nome
em todas as areias
mas o mar só devolveu
o que não era meu.
Eu verso
procurando rima,
tu silêncio
em contramão.
Falei com o vento,
ele não te conhece.
Perguntei às estrelas,
nenhuma te esquece.
Gritei para o mar,
ele só me adormeceu.
Caminhos
que o mar apaga,
memórias
que ele guarda.
As ondas levam tudo
o que a gente tenta fixar
e deixam só um rastro
que aprende a se desfazer.
Mas a areia insiste
em repetir o que já foi
como quem escreve cartas
que o destino não leu.
Fui seguindo
tuas ausências
como quem lê
um mapa em branco.
Inventei direções,
devaguei por lembranças,
dei nomes às estações
que nunca foram nossas.
Cada passo,
um intervalo.
Cada pausa,
um endereço
onde nada chegou
e nada mais permaneceu.
O sol desce
devagarinho
e a tarde vira
canção.
A luz se despede
e o dia se recolhe.
O que ficou de nós
a noite acolhe
sem pressa de explicar,
sem vontade de julgar.
No fim,
só ficaram
as pegadas
do que não foi.
Não dizem quem errou.
Não apontam direção.
Apenas marcam o tempo
da nossa separação.
O mar vem e leva
o que insiste em doer,
mas tem marcas que ficam
mesmo quando o mar quer.
E o mar,
sempre ele,
levando tudo
que já passou
por nós.
Talvez um dia
outra maré traga
o que ficou perdido
e o que hoje é ausência
vire apenas memória.
Até lá sigo leve
com o que sou,
com o que fui
e com o que ficou
em mim.
FIM
Assim narrou Primolius
Copyright de Britto, 2023
Projeto Literário e Musical Primolius - N° 1006


