Nº 1003 - O CIRANDEIRO DE MAYA - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA



Nas  dunas de Mayandeua, onde o vento mudava a paisagem antes mesmo do amanhecer, vivia Zeno, um humilde vendedor de sal. Conhecia cada praia, cada restinga e cada caminho da ilha. Mesmo assim, havia lugares onde nem os pescadores mais antigos ousavam entrar.

Certa tarde, enquanto atravessava um imenso campo de dunas, uma ventania inesperada apagou seus rastros. O horizonte desapareceu. A areia dançava como se estivesse viva e, pela primeira vez, Zeno percebeu que havia perdido completamente o rumo.

Quando o silêncio voltou, um velho mapa de couro deslizou sobre a areia, conduzido pelo vento. O desenho mostrava um castelo cercado pelo mar e uma inscrição quase apagada dizia:

"Somente quem escuta a voz da ciranda encontrará o caminho de Maya."

Movido pela curiosidade, Zeno seguiu os sinais marcados no mapa. A cada passo, a areia brilhava suavemente. As dunas começaram a se abrir, revelando um antigo portal escondido entre elas. Do outro lado existia uma cidade que não aparecia nos mapas dos homens.

Era a Cidade Encantada de Maya.

No centro daquele reino erguia-se o Castelo da Princesa, cercado por jardins marinhos, fontes cristalinas e torres iluminadas pela luz da lua. As águas eram habitadas pelas Sereias Irmãs, antigas guardiãs das chuvas, das marés, dos ventos e dos segredos do oceano.

Ao cair da noite, Zeno ouviu um som que parecia nascer das próprias ondas. As sereias formavam uma grande roda sobre a praia. Seus cantos misturavam-se ao vento e faziam o mar respirar lentamente.

Então começo de uma a antiga cantiga:

"Oh, Ciranda de Mayandeua,

vem a chuva e a maré.

Quem dança com as sereias

nunca perde a fé."

Sem perceber, Zeno entrou na roda. A evolução  fazia a areia florescer com pequenas luzes douradas. As estrelas aproximaram-se do mar e o céu inteiro parecia acompanhar aquela dança antiga, conhecida apenas pelos encantados da ilha.

Antes do nascer do sol, as sereias entregaram a Zeno o mapa de couro e lhe disseram:

"Quem conhece o caminho de Maya nunca mais estará perdido. Levará consigo a memória da ilha e a alegria da ciranda."

Num instante, o castelo desapareceu entre a névoa.

Quando abriu os olhos, Zeno estava novamente sobre a grande duna, iluminada pelos primeiros raios do amanhecer. Tudo parecia um sonho. Porém, em suas mãos permanecia o velho mapa de couro, agora marcado por um pequeno símbolo em forma de espiral, igual ao movimento da ciranda.

Desde aquele dia, os moradores de Mayandeua contam que, nas noites de lua cheia, um homem caminha pelas praias guiando viajantes que perderam o caminho entre as dunas. Dizem que, quando o vento começa a cantar, é possível ouvir uma ciranda distante.

E todos sabem quem é aquele viajante.

Zeno, o eterno Cirandeiro de Mayandeua.


FIM

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Projeto Literário e Musical Primolius N° 1003


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