Nº 1001 - A FLOR AZUL DE RATECO - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA

 


Rateco morava em um velho jambeiro, na vila de Camboinha, onde passava os dias observando tudo o que acontecia na ilha. Do alto dos galhos, via os pescadores voltando com suas canoas, escutava o canto dos pássaros ao amanhecer e conhecia cada vento que atravessava as restingas.

Era curioso por natureza. Gostava de ouvir histórias dos viajantes que chegavam de lugares distantes. Nenhuma, porém, despertava tanto sua imaginação quanto as histórias sobre o Vale Encantado, onde vivia a Princesa de Maya.

Certo dia, decidiu visitar seu primo, que morava naquele lugar cheio de mistérios. Ao chegar ao jardim da princesa, ficou completamente encantado. Entre tantas plantas coloridas, uma chamou sua atenção. Era uma flor azul que parecia guardar o brilho do céu dentro de suas pétalas.

Nunca havia visto tamanha beleza.

Sem esconder o encanto, Rateco aproximou-se da princesa.

 Alteza, será que eu poderia levar uma muda dessa flor para plantar em Camboinha?

A princesa sorriu com delicadeza.

 Pode levar. Mas esta não é uma flor como as outras.

Rateco arregalou os olhos.

Ela precisa receber, todas as noites, a luz das estrelas. É dessa luz que nasce sua força. Sem ela, suas pétalas perdem a cor e o perfume desaparece.

Mesmo sabendo da responsabilidade, Rateco aceitou o presente com alegria.

Abrçou cuidadosamente a pequena muda e iniciou a longa viagem de volta para sua casa, protegendo a plantinha do vento, da chuva e do calor.

Em Camboinha, Rateco escolheu um lugar especial para plantar a flor. Todas as noites de maré alta, quando o céu ficava limpo e as estrelas brilhavam sobre o mar, ele permanecia ao lado dela em silêncio.

Pouco a pouco, a planta começou a crescer.

Numa noite iluminada, as pétalas finalmente se abriram. A flor azul parecia guardar pequenos pontos de luz em seu interior, como se cada estrela tivesse deixado um pedaço do céu dentro dela.

Os passarinhos chegaram primeiro.

Depois vieram os vaga-lumes, as borboletas, os esquilos, os coelhos, os caranguejos, os insetos do jardim e muitos outros bichinhos da ilha.

Todos ficaram admirados diante daquela beleza que iluminava discretamente a noite de Camboinha.

A notícia espalhou-se rapidamente por Mayandeua. Muitos viajavam apenas para conhecer a flor que vivia alimentada pelas estrelas.

Rateco compreendeu, então, que algumas belezas existem apenas para quem aprende a cuidar delas todos os dias.

Moral da história:

Os maiores tesouros da vida não sobrevivem apenas porque são belos. Eles florescem quando recebem cuidado, dedicação e amor. Quem cultiva o bem todos os dias transforma seu lugar e ilumina a vida de todos ao seu redor.


FIM

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Projeto Literário e Musical Primolius N° 1001



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