N° 0998 - CEM ANOS DE ABRAÇOS - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA
Quando o sol começava a descer atrás das dunas encantadas de Maya, um caminho invisível surgia entre os reinos. Não era uma estrada de pedra, nem uma ponte de madeira. Era uma passagem feita de lembranças, sonhos e esperança. Somente quem carregava um amor verdadeiro conseguia enxergá-la.
Fyres conhecia aquele caminho desde menina.
Ainda pequena, todas as tardes adormecia por alguns instantes e encontrava um unicórnio branco que caminhava entre estrelas coloridas. Seu nome era Citris. Os dois nunca precisaram explicar quem eram. Bastava um olhar para reconhecer que aquela amizade existia muito antes do tempo aprender a contar os dias.
Os anos passaram.
Fyres cresceu ouvindo histórias dos mundos de fora. Viajantes falavam de cidades enormes, montanhas distantes, mares sem fim e céus diferentes. Ela guardava cada narrativa dentro do coração. Quando voltava aos sonhos, sentava ao lado de Citris e repetia tudo o que havia aprendido. O unicórnio escutava em silêncio, como quem transformava cada palavra em constelação.
Citris também tinha suas histórias.
Falava dos vales luminosos onde os rios nasciam do canto dos pássaros, das árvores que floresciam apenas quando alguém perdoava uma tristeza e dos jardins onde o vento escrevia poemas sobre as folhas.
Os dois pertenciam a reinos diferentes. As antigas leis de Maya impediam que um atravessasse definitivamente o território do outro.
Por isso existia apenas um breve instante concedido pelo tempo. Sempre no final da tarde, quando o céu misturava o dourado com o violeta, os portais se abriam por poucos minutos.
Era nesse momento que acontecia o encontro. Nenhuma palavra era mais importante do que o abraço. Fyres apoiava o rosto sobre o pescoço branco de Citris. O unicórnio fechava os olhos e parecia ouvir o próprio universo respirar. O silêncio entre eles nunca significava distância. Era a linguagem mais antiga que existia em Maya.
Quando o último raio de sol desaparecia, os portais começavam a se fechar. Fyres voltava ao seu reino. Citris seguia para o seu. Nunca havia lágrimas. Apenas a certeza de que o tempo cumpriria novamente sua promessa no dia seguinte.
Os moradores de Maya diziam que o amor precisa morar na mesma casa para sobreviver. Fyres e Citris provaram o contrário. Descobriram que alguns afetos vivem melhor quando são alimentados pela espera, pela confiança e pelo reencontro.
Até hoje, quando o céu da ilha muda de cor no fim da tarde, há quem veja uma menina abraçando um unicórnio entre os espaços invisíveis de Maya.
Talvez seja apenas imaginação.
Ou talvez o amor tenha encontrado um caminho que somente os sonhos conseguem percorrer.
FIM
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Projeto Literário e Musical Primolius N° 0998


