Nº 0961 - AERÓBICA MAYANDEUA - MAR - SÉRIE: CRÔNICAS DE MAYANDEUA
O oceano jamais dorme. Muito antes da primeira luz do dia tocar o horizonte, a grande academia das profundezas já fervilha de movimento e energia. É a "Dança Aeróbica das Águas Salgadas", um balé subaquático de coreografias secretas onde cada gota de oxigênio funciona como combustível vital e cada corrente marinha atua como mestre de cerimônias.
Enormes cardumes de sardinhas se expandem e contraem num ritmo hipnótico, formando pulmões vivos de prata reluzente, executando movimentos sincronizados tão rápidos que deixam os caçadores completamente desorientados. Lá embaixo, onde a luz mal consegue penetrar, as anêmonas ensaiam seus alongamentos contemplativos, desenrolando braços fluorescentes para cumprimentar respeitosamente cada ser que passa.
As majestosas baleias, verdadeiras atletas dos oceanos, explodem através da superfície líquida em acrobacias que zombam das leis da física, condicionando seus corações gigantescos para resistir à esmagadora pressão das profundidades azuis. Nada permanece imóvel neste reino aquático; mesmo os recifes de coral, crescendo pacientemente ao longo de milênios, executam sua própria versão da ginástica da sobrevivência, flexionando-se contra o assalto implacável das marés.
Cada pequena bolha prateada que flutua rumo à superfície carrega consigo um suspiro de esforço puro e existência autêntica. No universo marinho, permanecer parado equivale a ser tragado pelo abismo do esquecimento eterno. A existência aqui é pura ginástica cardiovascular, vibrante e compassada. Quando finalmente as ondas quebram na costa e a espuma branca se espalha pela areia, é como se fosse o próprio suor salgado do oceano esfriando após um treino extenuante.
O mar transcende a simples existência; ele treina incansavelmente, estremece de vitalidade e palpita sem cessar, esculpindo e preservando as formas do planeta inteiro através da dança eterna de suas correntes que nunca, jamais, param de se mover. Todo aquele que se atreve a mergulhar em suas águas consegue sentir, pulsando forte no peito, o próprio coração gigantesco da Terra batendo exatamente no mesmo ritmo das ondas que vêm e vão.
E entre toda esta força....
Está o mar de Mayandeua!
- Assim narrou Primolius.
FIM
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Projeto Literário e Musical Primolius N° 0961


