* Nº 0950 - O COPO REAL - HISTÓRIAS FANTÁSTICAS DE MAYANDEUA
Em Algodoal-Mayandeua, um paraíso de dunas , o pescador Cícero, apelidado de Cabra-do-Mar, encontrou um copo incomum, não feito por mãos humanas, mas nascido da areia. O copo repousava à espera, brilhando como vidro antigo com ondulações enigmáticas que se revelavam como um mapa invisível. Cícero, um homem de fé cautelosa, sentiu um arrepio ao tocá-lo, como se o objeto respirasse, e reconheceu sua natureza incomum. Intrigado, levou-o para casa, guiado por um pressentimento.
Naquela noite, sob a luz da lua cheia, Cícero ousou beber água do copo misterioso e, como num passe de mágica, o mundo ao seu redor se transformou. Um lampião dançou sem vento, as redes se agitaram como seres vivos e conchas giraram em padrões celestiais. Uma alegria há muito esquecida irrompeu em Cícero, lavando sua alma com risos e lágrimas.
O copo não era um instrumento de feitiçaria, mas sim um lembrete de que a alegria esquecida anseia por renascimento. Longe de causar desordem, ele trazia leveza, substituindo o silêncio pela melodia e a rotina pela espontaneidade. As antigas lavadeiras da Praia da Princesa o chamavam de "o copo que bebe a tristeza dos outros para cuspir esperança".
Com vontade própria, o copo discernia almas leves de corações sombrios. Se usado por alguém com más intenções, tornava-se opaco e insípido, guardando sua magia para aqueles que valorizavam a alegria. Para os que acreditavam nas travessuras do destino, o copo era uma senha, transformando o ordinário em extraordinário.
A história do Copo de Travessuras se espalhou, narrando seu desaparecimento quando cobiçado e seu reaparecimento para aqueles que precisavam redescobrir a leveza. Dizem que ele pertence às areias de Mayandeua, devolvido pelo mar a cada geração como um lembrete de que o riso é uma forma de resistência.
Assim, o Copo de Travessuras se tornou mais que um objeto; tornou-se uma história, um convite à alegria e uma lição de que, mesmo nas dunas, podemos encontrar um oásis interior se abraçarmos a vida como ela deveria ser.
- Dizem que este copo é da Princesa!
- Assim narrou Primolius!
FIM
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Projeto Literário e Musical Primolius N° 0950


