* Nº 0417 - O VOO DO JAPIIM - SÉRIE: FÁBULAS DE MAYANDEUA





Na ilha de Mayandeua, dizem que todos carregam o dom de voar. Não é um voo com asas visíveis, mas algo que nasce dentro de cada ser, como uma bússola invisível apontando para a liberdade. Para acessar esse dom, basta escutar o chamado silencioso das águas do mar e observar o exemplo dos pequenos pássaros.

Entre os habitantes do céu, o japiim é um pássaro especial. Pequeno, colorido e quase frágil aos olhos despreparados, ele guarda um segredo: seu voo não é feito de esforço, mas de entrega. Ao final da tarde, quando o céu se pinta de tons avermelhados e o sol desce suavemente em Maya, o japiim levanta voo. Ele não luta contra o vento nem planeja rotas complicadas; simplesmente se deixa levar pelas correntes naturais. Seu voo é uma dança tranquila, um eco da sabedoria ancestral das matas da ilha.

Os animais do lugar, fascinados pelo japiim, reuniam-se para observá-lo. Um macaco curioso chamado Clow , perguntou ao velho itaquerê que residia na  árvore mais alta da ilha:  

— Como o japiim consegue voar tão livre?  

O  itaquerê respondeu com simplicidade:  

— Ele confia. Confia no vento, na terra, no mar, no ciclo eterno que o envolve. E ao confiar, liberta-se do peso que poderia prendê-lo ao chão.

Clow não entendeu de imediato. Ele passou dias pensando sobre aquelas palavras, observando o japiim e tentando entender o que significava "libertar-se". Até que uma tarde, enquanto brincava de balançar nos galhos, ele percebeu que estava segurando firme demais, com medo de cair. Quando finalmente soltou-se, sentiu o vento sustentá-lo por um breve momento antes de agarrar outro galho. Foi então que compreendeu: o voo não era sobre abandonar a segurança, mas sobre confiar que o mundo sempre estaria lá para ampará-lo.

Assim como Clow, cada criatura da mata aprendeu algo com o japiim. Os sapos do "Recanto do Lago" entenderam  que não precisavam temer as águas profundas; as formigas descobriram que podiam caminhar tranquilamente através da "Trilha Encantada" sem hesitar; até mesmo a preguiça, que parecia indiferente ao movimento do mundo, percebeu que sua lentidão era parte de sua harmonia com a vida.

Moral da história:  

A verdadeira liberdade nasce quando confiamos na força da natureza e deixamos de lado os pesos que insistimos em carregar. Assim como o japiim, podemos encontrar leveza ao nos entregarmos ao fluxo da vida.


FIM 


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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0417

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