* Nº 0057 - TEMPO BURITIZEIRO - SÉRIE: CRÔNICAS DE MAYANDEUA
À beira do rio, onde a terra encontra a água em um abraço perene, ergue-se uma palmeira majestosa. Seu nome é sussurrado pelos ventos e repetido pelas vozes da floresta: buriti, muriti, miriti. Cada nome carrega consigo uma história, um significado com a vida daqueles que habitam ao seu redor. A palmeira, silenciosa e imponente, observa tudo. Ela nasceu ali muito antes de qualquer memória humana poder contá-la. Suas raízes mergulham profundamente na terra fértil e úmida, enquanto seus galhos altos parecem tocar o céu . As folhas longas balançam como mãos acolhedoras, sempre conectadas à sua origem, sempre prontas para proteger e alimentar. Ela é um símbolo, uma testemunha silenciosa das histórias que fluem como o próprio rio.
As crianças correm livres sob sua sombra, rindo enquanto brincam com brinquedos feitos de suas ripas resistentes. Os ribeirinhos colhem suas flores para extrair o mel dourado, um tesouro líquido guardado em potes de barro. Nas tardes quentes, os adultos se reúnem para saborear licores doces feitos de seus frutos, enquanto pequenas aves coloridas pousam em seus galhos, trazendo ainda mais vida à cena.
A cada ano, as inundações chegam como velhas amigas. A água sobe delicadamente, tocando as raízes da palmeira com reverência. Não há agressão, apenas harmonia – um lembrete de que a natureza sabe dançar quando respeitada. Namoros nascem sob seus galhos. Olhares tímidos se encontram, mãos se tocam pela primeira vez e promessas são sussurradas ao som do vento. A palmeira guarda esses segredos com cuidado, nunca revelando o que ouve ou vê. Ela é cúmplice desses momentos, uma confidente silenciosa que abençoa cada história de amor que floresce em sua presença.
Lá no alto, um sabiá canta. Seu canto se espalha pelo ar, despertando uma sensação de nostalgia. Quem escuta sente como se aquela melodia trouxesse à tona lembranças antigas, que permanecem vivas na memória. A palmeira permanece de pé, firme à beira do rio, observando o movimento das águas e das pessoas ao seu redor. Ela testemunha a passagem do tempo, acumulando histórias que o vento carrega até ela. Sempre presente, ela segue cumprindo seu papel como parte essencial da paisagem e da vida daquele lugar.
- Frutos de buriti ao chão!
FIM
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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0057


