*Nº 0760 - CORRENTES MARÍTIMAS - SÉRIE: CONTOS DE MAYANDEUA
Ylmoyse, era um boto. Conhecido carinhosamente como Ylm, era uma criatura alegre e sonhadora. Ele gostava de nadar nas águas de Mayandeua e Algodoal, deslizando com rapidez e graça. Seu corpo bem estruturado se movia em harmonia com a correnteza, enquanto seus olhos curiosos exploravam cada recanto das águas cristalinas. Ylmoyse vivia em um cardume que seguia o fluxo do rio-mar, onde se sentia seguro e confortável.
Mas um dia, Ylmoyse percebeu que seu rio estava ficando pequeno. Observou a crescente competição por espaço, comida e atenção entre os diversos botos que habitavam ali. Ouvia atentamente as histórias dos que haviam viajado pelo mundo, principalmente, relembrava as histórias de seu avô, Yquetus o boto de duas águas, onde conhecia cada relato das aventuras de seu avô, despertando ainda muito jovem a sua curiosidade e vontade de explorar novas águas.
Decidiu, então, que era hora de partir em busca do desconhecido. Antes de deixar seu lar, Ylmoyse pegou seu bem mais querido: uma concha que tinha forma de lua, um presente de sua avó, uma sábia nadadora. Emocionado, despediu-se de seus leais companheiros: o pirarucu, que lhe oferecera amizade incondicional; a ariranha, cuja presença sempre lhe trazia alegria; o jacaré, que, com seu olhar sereno, inspirava-lhe respeito.
Partiu, então, em busca do rio-mar, determinado a explorar além das fronteiras de seu conhecimento. Nadou incansavelmente, guiado pela correnteza, pelas estrelas, pelo seu próprio instinto. Encontrou maravilhas e perigos em sua jornada, conheceu seres fascinantes e enfrentou desafios inimagináveis.
Após dias e noites de travessia, Ylmoyse chegou finalmente a um vasto oceano, onde somente o mar se estendia até onde a vista alcançava. Foi recebido por um espetáculo de cores, sons e movimentos, que despertaram sua curiosidade e entusiasmo. Guardando sua preciosa concha em sua boca, como um amuleto de sorte e coragem, Ylmoyse lançou-se na exploração das águas desconhecidas.
Fez novos amigos e aprendeu novas habilidades, como saltar com os golfinhos, mergulhar com as tartarugas e competir com os tubarões. Tornou-se um nadador exímio. Apesar das experiências emocionantes no mar, Ylmoyse jamais esqueceu suas origens. A saudade de seu rio natal crescia a cada dia, até que decidiu retornar. Guiado pelo mesmo instinto que o levou ao mar, nadou de volta pelo oceano, reencontrando lugares familiares e antigos amigos.
Ao mergulhar nas águas familiares de seu rio, Ylmoyse sentiu-se em casa novamente. Reunindo-se com seus antigos companheiros, compartilhou suas aventuras e as lições que aprendera em sua jornada. Percebeu que, embora a vida no mar fosse emocionante, seu verdadeiro lar estava ali, no rio que o viu nascer. Continuou a nadar pelo rio, explorando cada recanto com renovada apreciação e gratidão. Suas histórias do mar inspiraram seus amigos, lembrando-os de que a vida é uma jornada de descobertas e que, por mais longe que viajemos, nossas raízes sempre nos esperam de braços abertos.
E assim, Ylmoyse viveu uma vida plena, equilibrando sua curiosidade e espírito aventureiro com sua profunda conexão com sua terra natal. Em Mayandeua sempre visita sempre os Portais das Sereias e Caruanas.
- Segundo Primolius ele têm uma namorada na Praia do Mamede.
- Bem perto onde fica o Reino dos Baiacús.
(Echa! Pouco fuxiqueiro este zinho, heim!)
FIM
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Projeto Literário e Musical Primolius Nº 0760


