*Nº 0638 - JURUPARIS DO MANGUE - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA
Em uma noite de lua cheia, quando o brilho prateado banhava os mangues da ilha, o espírito ancestral Jurupari, o guardião místico, decidiu visitar os caboclos que andavam maltratando a Mae de Todas as Mães. Ele emergiu dos recantos espirituais, uma presença etérea envolta em mistério, seu corpo etérico dançando entre as sombras dos mangues.
Ao se aproximar das moradas dos caboclos, Jurupari deslizou por entre as árvores centenárias, os sons noturnos do manguezal formando uma sinfonia de suspiros e murmúrios. Seu sussurro ecoava entre as raízes, chegando aos sonhos dos caboclos que adormeciam após um dia de atividades.
Nos sonhos, Jurupari assumiu uma forma imponente, seus olhos flamejantes refletindo a força ancestral que habitava nele. Ele se dirigiu aos caboclos, que se viam mergulhados em um cenário onírico, enquanto a natureza ao redor ecoava suas mensagens.
"Filhos da terra de Maya, esqueceram a reverência à Mae de Todas as Mães", clamou Jurupari, sua voz ecoando como trovões distantes. "A Mãe que dá vida ao manguezal, berço de tantas formas de vida, merece respeito e cuidado."
Os caboclos acordavam sobressaltados, os olhares perdidos entre o mundo dos sonhos e a realidade. Sentiam o toque espiritual de Jurupari, uma presença que não podiam ignorar. A brisa noturna levava consigo a mensagem do guardião, repreendendo a falta de respeito para com a natureza.
Assim naquela noite vários espíritos de Jurupari invadiram a ilha. E ao nascer do Sol lá estavam os caboclos narrando os seus sonhos ou pesadelos.
Aquela semana, Maya estava protegida.
- Quiçá Sempre!
FIM
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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0638


