* Nº 0637 - JANELA PARA O MAR - SÉRIE: A POESIA DE MAYANDEUA


 
Entre o sopro vigoroso do vento e a vastidão do mar,
Desenha-se a brisa que penetra com maior intensidade,
Os murmúrios do mar acalmam o tumulto emocional.
Sons entrelaçados do vento e cânticos dos pássaros,
A janela, uma vez mais, cede à sua abertura,
O sol já partiu destas águas em movimento.

Dentro das paredes da morada,
Uma jornada de insetos insatisfeitos se desenrola,
São seletos, uniformizados, e emanam um frio calculado...
Assim como os habitantes das antigas urbes,
Eles...
Maruins, mutucas e carapanãs.

Num mero acaso, ao abrir de uma janela,
O oceano tenta esconder outras façanhas do vasto mundo,
Nesses lugares remotos...
Outras vozes ressoam através das palhas.

Na dança do verbo "Viver" em Mayandeua,
O tempo transcende suas próprias fronteiras,
Entre o vento que acaricia e o mar que murmura,
A essência da existência se desenha nas ondas.

Dentro das paredes envelhecidas pela história,
Insetos inquietos tecem tramas invisíveis,
Como os homens das antigas, seletos e frios,
Maruins, mutucas e carapanãs entram na sinfonia.

Enquanto uma janela se abre por mero acaso,
O mar, guardião das histórias não contadas,
Revela segredos de lugares distantes,
Onde outras vozes ecoam entre as palhas.

Neste rincão, as vozes centenárias permanecem serenas,
Apenas o mar, testemunha das eras,
Conhece os segredos sussurrados pela brisa,
E nos ensina a arte profunda do simples viver.


"Mayandeuar!"


FIM

Copyright de Britto, 2021
Projeto Literário e Musical Primolius N° 0637


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