* Nº 0636 - JACINTAS DA PRINCESA - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA

 


Em um canto longínquo, onde as águas do Reino da Princesa acariciam a terra com seu brilho cristalino, encontra-se um refúgio secreto conhecido por poucos. Lá, no final de uma praia silenciosa, surge um caminho quase imperceptível, guardado pelo tempo e pela natureza. Nesse santuário, repousa um majestoso ajiruzeiro encantado. Durante o Verão, seus frutos, de cores vibrantes e textura reluzente, pendem dos galhos como joias preciosas, espalhando uma aura mágica que hipnotiza os raros visitantes.  

Conta-se que aqueles que se aventuram a descobrir esse recanto especial são agraciados por uma experiência única. O ajiruzeiro, em sua bondade mágica, escolhe o mais perfeito dos frutos, oferecendo-o como uma iguaria digna de reis. Dizem que basta olhar para o fruto para que um desejo irreprimível floresça no coração do viajante.  

Entre os galhos sinuosos dessa árvore mágica, habita um par de jacintas notáveis, conhecidos como Aniso e Pteia. Esses guardiões dedicados têm uma história que transcende o tempo e a forma. Segundo as crônicas de  Primolius, eles já foram dragões poderosos, criaturas majestosas que sobrevoavam os céus de Mayandeua protegendo o Reino da Princesa com sua força e sabedoria. Contudo, em um ato de altruísmo incomparável, escolheram renunciar às suas formas colossais e aos seus dons sobrenaturais para se transformarem em insetos guardiões.  

No início dos tempos, quando a ilha ainda era jovem e desabitada, Aniso e Pteia encontraram no ajiruzeiro e no Lago do Reino seu propósito eterno. Desde então, dedicaram-se a proteger o equilíbrio mágico daquela porção sagrada da ilha. Durante o Verão, sua vigilância se intensifica, pois é nessa época que o recanto sagrado atrai aventureiros intrépidos, dispostos a enfrentar os desafios da ilha para alcançar a árvore encantada.  

Mas o legado de Aniso e Pteia não terminou ali. Ao longo das eras, seus descendentes se multiplicaram, espalhando-se pela ilha como sentinelas atentos. Cada um deles possui olhos multifacetados, capazes de captar até mesmo as menores perturbações na harmonia mágica do Reino da Princesa. Esses seres, que alguns acreditam serem dotados de uma conexão profunda com a essência da ilha, trabalham incansavelmente para proteger o território sagrado.  

Primolius, conhecedor destes seres, revela que há um caminho para aqueles que desejam encontrar o ajiruzeiro e mergulhar nos mistérios do reino. "Siga as pegadas da iguana marrom sob o sol do meio-dia", ele aconselha. "Somente os puros de coração, guiados pelo instinto e pela coragem, poderão alcançar o segredo do Reino da Princesa."  

Assim, a história do ajiruzeiro encantado e de seus fiéis guardiões continua a florescer entre alguns moradores da ilha e os poucos viajantes que ousam explorar  aquela parte da ilha. Sob a proteção de Aniso, Pteia e sua linhagem de vigilantes, o Reino da Princesa permanece um lugar de mistério, encanto e aprendizado, onde o passado e o presente se entrelaçam em uma narrativa eterna que alimenta a imaginação e o espírito dos que nela acreditam.

- Eis estas belas jacintas de Maya!


FIM

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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0636

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