* Nº 0633 - HARPIAS DE MAYA - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA
Na misteriosa ilha de Maya, um reino encantado desabrochava longe dos olhares humanos. Entre os manguezais e as sombras acolhedoras das árvores antigas, vivia uma comunidade mágica, guardada pelas majestosas Harpias. Criaturas de asas reluzentes e beleza etérea, as Harpias dedicavam sua existência a proteger os pequenos habitantes que faziam daquele lugar o seu refúgio. Invisíveis aos humanos, suas presenças eram sussurradas pelas folhas ao vento e anunciadas no canto ritmado dos grilos sob o manto da noite.
Entre todas as criaturas terrenas, apenas os cachorros possuíam o raro dom de enxergar as Harpias. Seus olhos captavam o cintilar das penas prateadas e o voo harmonioso que escapava ao entendimento humano. Tornavam-se, assim, mensageiros entre os dois mundos, transmitindo silenciosamente a magia que permeava o mangue de Maya.
Certo dia, quando o sol acariciava suavemente o mangue, uma menina chamada Mia caminhava pela trilha que serpenteava os manguezais. Ela era conhecida por sua curiosidade insaciável e seu amor pelos animais. Ao virar uma curva, avistou um pequeno filhote de cachorro de pelo dourado, abandonado e tremendo à beira do caminho. Comovida, ela decidiu levá-lo para casa e deu-lhe o nome de Solis, inspirado na luz do sol que parecia refletir em seu pelo brilhante.
Mia e Solis logo formaram um vínculo profundo, inexplicável, como se suas almas estivessem conectadas por algo além do visível. O filhote mostrava uma inteligência incomum e uma sensibilidade que ia além do que Mia podia compreender.
Um dia, enquanto exploravam os recantos do mangue, Solis começou a agir de forma estranha. Ele parou abruptamente, seus olhos dourados fixos em algo que Mia não conseguia ver. Ele latiu suavemente e deu alguns passos hesitantes em direção a uma trilha oculta. Curiosa e confiando em seu fiel amigo, Mia seguiu Solis, que a conduziu a uma clareira escondida.
Ali, diante de seus olhos incrédulos, as Harpias revelavam-se em toda a sua majestade. Suas asas prateadas brilhavam como espelhos sob os raios filtrados do sol, e seus movimentos formavam uma dança hipnotizante, repleta de graça e harmonia. Surpreendidas, mas não alarmadas, as Harpias fixaram seus olhos bondosos em Mia. Reconheceram nela algo raro: uma alma pura e receptiva, capaz de compreender a delicada relação entre os mundos visível e invisível.
Com um voo terno, as Harpias aceitaram Mia como aliada. Ela foi convidada a partilhar do segredo que poucas criaturas conheciam: o equilíbrio mágico que sustentava a vida no mangue de Maya. Desde aquele dia, Mia tornou-se uma guardiã silenciosa do reino, trabalhando ao lado de Solis para proteger aquele espaço mágico e seus habitantes.
Com o passar do tempo, Mia e Solis testemunharam maravilhas que poucos poderiam imaginar. Os pequenos seres do manguezal, antes tímidos, começaram a confiar na presença da menina e de seu cão dourado. Sob a orientação das Harpias, Mia aprendeu sobre o ciclo da vida no mangue, sobre os segredos das marés e os sussurros das estrelas.
Assim, a ilha de Maya continuou a florescer, protegida pelas asas vigilantes das Harpias, pelos olhos mágicos dos cachorros e pela determinação daqueles que acreditavam no poder do invisível. O reino oculto prosperava, provando que o verdadeiro encanto da vida está nas conexões delicadas que vão além do que se pode ver.
- Assim Primolius narrou!
FIM
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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0633


