* Nº 0632 - GRANDE MAYA - SÉRIE: A POESIA DE MAYANDEUA
Nos confins da ilha, onde o mangue se entrelaça com o manto da noite,
Maya, a entidade espiritual, transcende as fronteiras do visível.
Entre raízes que afundam na terra e folhas que sussurram segredos,
Ela é a essência que flui, uma força inaudível que pulsa em cada canto.
Sua presença é tecida na teia complexa da natureza,
Um fio etéreo que une todas as coisas, uma rede de conexões invisíveis.
Nos recantos onde a luz do sol se filtra entre as folhas,
Maya se manifesta, uma sinfonia silenciosa na vastidão da ilha.
Espirais do fundo emergem dos recônditos das águas profundas,
Guardiãs dos segredos submersos, dançando carimbó com as correntes marítimas.
Sereias entoam canções de baleias, ecoando pelos recifes e marés,
A harmonia do oceano e furos, uma prece que se mistura com o sussurro da brisa.
Na densa mata, onde árvores altivas tocam o céu dos bacurizeiros,
Dragões guardiões vigiam os limites do reino, seus olhos faiscando mistérios.
Curupiras, Sacis e Mampiguaris travessos e misteriosos, escondem-se entre as folhas,
Preservando o equilíbrio delicado entre homem e natureza.
Fadas tecem encantamentos nos raios de luar,
Bailando entre as flores e as folhas, sua magia enfeita cada pétala de mangueiro.
A fauna noturna, sob o olhar atento de Maya, ganha vida,
Cantos de grilos, coaxar de sapos, uma sinfonia de seres sob a luz das estrelas encantadas.
Na praia e lago encantado, onde dunas de areia se movem com a brisa,
O Curupira dança entre as árvores, zelando pelos segredos do solo.
A natureza, em sua plenitude, respira vida em cada arbusto de ajirú e criatura,
Um ecossistema entrelaçado, regido pelos sussurros do vento de fora e o murmúrio das águas.
Pelos reinos ocultos, onde as Hárpias deslizam imperceptíveis,
Maya é testemunha de encontros e despedidas, de ciclos que se renovam.
Cavaleiros da proteção, vindos de lugares além da compreensão,
Juram lealdade à natureza, defendendo os segredos da ilha contra intrusões.
O manto noturno é palco para energias que se entrelaçam,
Forças terrestres e extraterrestres, uma dança cósmica sob o céu estrelado.
Maya, guardiã e canal entre os mundos, conduz essa sinfonia,
Onde a proteção se torna um escudo contra as sombras que buscam invadir.
Assim, na ilha de Mayandeua, onde a natureza se revela em sua totalidade,
Maya é a condutora silente da sinfonia dos elementos.
Espirais, sereias, dragões, Curupiras, fadas, florestas, dunas, mar,
Cada parte entrelaçada na tapeçaria da existência, um eco da magia que permeia a ilha.
Maya, a mãe de todas as mães, acalenta o coração da ilha,
Seu amor, uma força que nutre a terra, o céu e o oculto.
Na luz da prata lua, ela é a chama que ilumina o caminho dos Caruanas,
Um farol que guia todos os seres na dança eterna da vida.
Seus braços invisíveis abraçam cada criatura, cada raio de sol,
Maya, a guardiã sábia, a mãe que nutre a alma de Mayandeua.
Que sua presença ecoe nos ventos e nas águas deste Norte,
A eterna mãe, tecendo a magia que mantém a ilha viva.
Vida!
FIM
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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0632


