* Nº 0532 - POTE DE OURO - SÉRIE FÁBULAS DE MAYANDEUA



Era uma tarde calma no mangue, com as águas espelhando o céu dourado e os ventos dançando suavemente entre as raízes dos manguezais. No galho mais alto de um velho cajueiro, Primolius, o maracanã contador de histórias, sacudia suas penas vibrantes, enquanto os pequenos moradores do mangue se reuniam ao redor. Hoje, ele prometera narrar uma história inesquecível: a aventura de Yvanys, a formiga destemida.  

Primolius iniciou, com sua voz cheia de encanto:  

“Naquele mangue, onde o sal e o sol se encontram, vivia Yvanys, uma formiga diferente de todas as outras. Curiosa e corajosa, ela adorava explorar o desconhecido e sempre estava disposta a descobrir segredos ocultos. Foi durante uma de suas caminhadas que Yvanys viu algo incomum: uma abelha reluzente, dourada como o próprio sol.”  

Os ouvintes ficaram em silêncio, com olhos atentos, fascinados pela descrição.  

“Yvanys ficou maravilhada! Nunca antes vira algo tão bonito. Mas ao se aproximar, percebeu que a abelha estava imóvel, deitada na lama. Preocupada, decidiu ajudar. Com grande esforço, carregou a abelha para sua toca, decorando-a com pétalas e folhas para fazer uma despedida especial. Mas, meus amigos, a história tomou um rumo inesperado...”  

Primolius baixou o tom da voz, criando suspense.  

“Enquanto Yvanys olhava para a abelha com tristeza, algo estranho aconteceu. A abelha começou a se mover! ‘Ela está viva!’ gritou Yvanys, cheia de alegria. Mas sua felicidade durou pouco. A abelha não estava apenas viva, estava mudando. Sua superfície brilhante começou a borbulhar, e logo ela se dissolveu em um líquido verde e pegajoso.”  

Os bichinhos ao redor de Primolius deram pequenos gritos, chocados com a revelação.  

“Yvanys entrou em pânico. Saiu correndo, gritando por socorro. ‘A abelha virou gosma!’ Quando suas companheiras chegaram para ajudar, tudo o que encontraram foi uma poça de líquido venenoso no lugar da abelha. Uma formiga mais velha e sábia examinou a cena e explicou: ‘Yvanys, essa não era uma abelha qualquer. Era uma abelha venenosa, uma armadilha brilhante. É uma sorte você não ter sido picada.’”  

Primolius balançou a cabeça dramaticamente.  

“Yvanys aprendeu, naquele dia, que nem tudo o que parece belo traz bondade. Desde então, passou a ser mais cautelosa e a valorizar as coisas simples e verdadeiras. Ela nunca mais pegou algo desconhecido, preferindo se encantar com as flores, as folhas e os amigos que a rodeavam. E sabem do que mais? Nunca mais sentiu falta daquela abelha dourada.”  

O maracanã abriu suas asas e concluiu, com seu tom sábio:  

Moral da história:“A curiosidade é um presente, mas sempre deve vir acompanhada de cuidado. O brilho pode enganar, mas o que realmente importa é aquilo que aquece o coração.”  

- Os pequenos bichos do mangue bateram patas e asas em agradecimento ao sábio contador. 


FIM

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Projeto Literário e Musical Primolius Nº 0532


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