* Nº 0200 - O DESTINO DOS MUROS - SÉRIE: CONTOS FANTÁSTICOS DE MAYANDEUA


Em algum lugar  existia uma ilha singular conhecida como "Murânica". Esta ilha era habitada por pessoas que eram obcecadas por cercar tudo o que viam, moldando o ambiente à sua imagem e semelhança. Os muros eram a marca registrada de Murânica, erguidos não apenas ao redor das casas, mas também nas areias das praias, dividindo a terra e o mar. Mesmo o oceano estava repleto de flutuantes e vigiado por inúmeros seguranças, garantindo que ninguém ultrapassasse os limites determinados pelos poderosos da ilha.

Com o tempo, a ilha de Murânica transformou-se em uma verdadeira prisão, com seus habitantes cada vez mais isolados do mundo exterior. Os muros cresciam mais altos e mais impenetráveis, e a ilha que antes era um refúgio se tornou um lugar claustrofóbico, onde a liberdade estava cada vez mais distante.

Até mesmo o céu não escapou das ambições dos murânicos. Eles começaram a construir barreiras no próprio ar, com estruturas que obstruíam a vista das estrelas e bloqueavam a passagem do vento. O céu, que antes era vasto e aberto, agora se tornara uma extensão do confinamento que dominava Murânica.

Os animais nativos da ilha, criaturas únicas e exóticas, logo se tornaram raros, pois não conseguiam sobreviver em meio à expansão desenfreada dos muros e barreiras. As plantas  também desapareceram gradualmente, substituídas por espécies trazidas de fora e cultivadas em ambientes controlados com ar refrigerado.

A ilha de Murânica havia se transformado em um mundo artificial, onde a natureza genuína era escassa e a liberdade uma lembrança distante. Os habitantes estavam tão ocupados construindo muros e barreiras que haviam esquecido a beleza do mundo natural que existia além de seus limites desenfreados. Bem como, para entrar na ilha só podia quem tivesse muito dinheiro, pois tudo era o triplo do valor do mundo de fora.    

No entanto, como em todas as histórias, havia aqueles que ansiavam pela liberdade, que sonhavam em ver o horizonte sem barreiras. Eles começaram a questionar o regime de confinamento que dominava Murânica e a buscar maneiras de quebrar as correntes que os mantinham presos. A ilha de Murânica, um dia um lugar de opressão, lentamente começou a ver os sinais de uma nova esperança. Os murânicos que ansiavam por liberdade se uniram, derrubaram os muros e desmantelaram as barreiras que haviam erguido em torno de sua ilha. À medida que as fronteiras se desfaziam, a natureza começava a retomar o seu lugar, e os habitantes de Murânica redescobriam a beleza do mundo exterior.

A lição de Murânica era clara: a busca incessante por controle e isolamento pode sufocar a alma humana e o ambiente natural. A verdadeira riqueza está na conexão com o mundo, na liberdade de explorar e na capacidade de viver em harmonia com a natureza. À medida que os murânicos abraçavam essa nova perspectiva, a ilha floresceu mais uma vez, tornando-se um lugar de diversidade, harmonia e, acima de tudo, liberdade.

Mas, dizem que muitos murânicos estavam tramando novas tramitações negativas para a ilha. Mas, esta é uma nova história para Primolius. 


FIM

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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 0200 

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