* Nº 0386 - CONVERSAS DE LUA - SÉRIE: TEATRO POPULAR DE MAYANDEUA
Cena 1
(O palco permanece na escuridão até que um tênue brilho lunar irradia do fundo, revelando a cena. Um Personagem adentra o palco, o olhar fixo na lua que ascende lentamente.)
Personagem: (Em voz baixa, quase um sussurro para si) Sob o olhar da lua que emerge, a memória persiste, intacta. Naquele instante inesperado, palavras alçaram voo, deixando agora um eco de saudade por um tempo que o destino deixou inconcluso.
Cena 2
(O Personagem inicia uma lenta caminhada pelo palco, seus passos carregando a cadência de uma jornada interior.)
Personagem: Reconheço a grandiosidade do universo, a dança incessante de astros e estrelas. Em breve, a suavidade do entendimento envolverá a lembrança daquele sentimento que se transformou. Compreenderei, em quietude, os teus caminhos e as escolhas que trilhaste.
Cena 3
(O Personagem detém seus passos, voltando o rosto para o alto, como se buscasse respostas no céu noturno.)
Personagem: Na verdade, um novo verso se inicia em minha alma. Quando encontrar meu próprio refúgio, naquele canto sereno da existência, permitirei que a mente cavalgue livremente por entre os pensamentos que jaziam adormecidos.
Cena 4
(Com a força da imaginação, o Personagem simula cavalgar pelo palco, seus movimentos imbuídos de leveza e um toque de fantasia.)
Personagem: Com uma audácia singela, interrogarei a lua sobre teu bem-estar. E, ao término desta jornada imaginária, desta cavalgada de palavras e reflexões, um abraço silencioso te alcançará.
Cena 5
(O Personagem para novamente, elevando o olhar ao céu estrelado.)
Personagem: Sei que em algum ponto do teu tempo, tua presença se fará sentir. Jamais te esquecerei, pois a lua, testemunha constante, repousará sempre no firmamento. Imóvel e eterna, assim como a luz que emana de ti, igualmente persistente.
Cena 6
(O Personagem retoma sua caminhada pelo palco, agora com uma resignação em seus passos.)
Personagem: Tenho a certeza de que notícias minhas não te alcançarão diretamente. Apenas a lua, em sua silenciosa órbita, será o elo invisível entre nós. Pois sei que a vida te conduzirá a outros encontros, a outras uniões, no silêncio profundo da tua própria jornada.
Cena 7
(O Personagem volta-se para a plateia, um olhar distante e nostálgico.)
Personagem: E talvez, em algum instante além do agora, sentirás o eco do que nossas vozes puderam compartilhar em um tempo que já se foi. Não te esquecerei, pois te encontrarei nas palavras que a poesia tece e tecerá no tempo de marés e de águas em liberdade.
Cena 8
(O Personagem simula abrir um caderno invisível e escrever com uma caneta imaginária, seus gestos lentos e pensativos.)
Personagem: Pois, incessantemente, buscarei palavras, como quem colhe estrelas, para endereçar-te em meus versos. Um sentimento inconcluso que a solidão, por mim escolhida, acentua em meu íntimo.
Cena 9
(O Personagem fecha o caderno imaginário e eleva novamente o olhar à lua.)
Personagem: O tempo, qual escriba celestial, transcreverá as cartas silenciosas que a lua nos envia. E eu, em minha própria solitude, habitarei também algum lugar sob este mesmo céu. Mas, eu estarei mais perto do Mar.
Cena 10
(O Personagem inicia uma lenta saída do palco, enquanto a luz lunar diminui gradualmente, mergulhando o palco novamente na escuridão.)
Narrador: Escrevendo sob a luz da lua que um dia foi minha. E assim, a lua de Mayandeua perpetua as promessas silenciosas de incontáveis palavras que se encontraram na ilha. Como um refúgio para novos sonhos e lembranças de almas que voam no vento nos Portais da grande Maya...
FIM
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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 386


