MUNDO TACACÁ Nº 347 - POEMA





Carta-Poema (Direto de Mayandeua)


Quentura na barraca, 

Fogareiro, panelas e cuias no tabuleiro, 

Tacacazeira de pano amarrado na cabeça, 

Atiça os paraenses, 

Atiça quem por ali passa... 

Com um cheiro que só  é desta terra. 


Uma bacia para lavagem, 

Cuias coloridas de todos os talhes, 

É o tacacá das 17h: 00... 

Velho consórcio da goma com o tucupi. 


Nas esquinas, 

Nas praças, 

Ou nas portas das casas, 

Cheiro indo longe, 

Fim de tarde absorvente, 

Um camarãozinho para adubar. 


Permanência imperativa, 

Tacacás nas avenidas e vilas, 

Fluido de efeito amoroso, 

Bem do jeito Pará, 

Apurado de gosto morenal... 

"Gomoso" de vida belenal... 

Líquido da vida parenzal. 


Durante a tarde, 

Trás  as primeiras lâmpadas ,

Chuva indo conquanto, 

Beiços amortecidos, 

Fogo e brasas sendo ventilados, 

Olhos lagrimando, 

Molecas pimentas de cheiro. 


O Pará tem gosto de tacacá... 

(Dizem que engorda) 


- Só se for de prazer!


FIM 


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Projeto Musical e Literário Primolius Nº 347


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