* Nº 0951 - VIOLA BRAGANTINA - SÉRIE: CONTOS DE MAYANDEUA
Sob um luar que se derramava pelos mangueirais e acariciava o mar, a ilha de Mayandeua repousava. Ali, na varanda, ele se encontrava, a viola de pinho quase uma extensão de si. A brisa trazia consigo tanto o calor do dia que findava quanto a promessa da noite que se aproximava. Os versos que lhe acorriam à mente eram mais que meros rabiscos em papel; eram um diálogo íntimo entre a alma e a paisagem que o envolvia.
O amor, por aquelas paragens, florescia de maneira singular. Assemelhava-se ao tambatajá e frutas de casca amareladas. Assim o sentimento se entrelaçava com a maré, com o lento amadurecer dos frutos e com o aroma do mangue que exalava da vazante. Assim a espera era sua companheira, não a espera ansiosa e impaciente, mas aquela que se rendia ao ritmo vagaroso da ilha. Este aguardava a jovem que exalava charme e mistério. Diziam que ela vinha para os festejos do boi bumbá da vila, mas ele pressentia que sua verdadeira missão era subverter a ordem lunar que tanto prezava.


