N° 0970 - PALAVRAS QUE O MAR NÃO LEVA: FRASEANDO NAS ILHAS I - SÉRIE REGIONALISMO








Introdução

Há saberes que não cabem em livros, há conhecimentos que nunca pisaram em universidades, há uma sabedoria que se transmite de boca em boca, de geração em geração, como as ondas que beijam a areia desde antes dos mapas terem nomes para dar às ilhas. Este compêndio é um ato de resistência contra o esquecimento, um esforço para capturar em palavras escritas aquilo que sempre viveu no ar salgado, nas conversas de fim de tarde no trapiche, nos gritos das crianças correndo pela areia, nas orientações dos mestres pescadores ensinando os mais novos a ler as marés.

Quando uma língua morre, não se perde apenas um conjunto de palavras perde-se uma maneira única de olhar o mundo, de nomeá-lo, de habitá-lo. E quando um dialeto regional desaparece, levado pela homogeneização cultural e pela sedução dos centros urbanos, toda uma cosmologia se dissolve como pegadas na praia durante a maré cheia. Este compêndio surge, portanto, como âncora: uma tentativa de fixar no papel aquilo que o vento e o tempo ameaçam dispersar.

A Linguagem como Território

As ilhas de Algodoal e Mayandeua, assim como toda a Região do Salgado paraense, não são apenas geografias físicas são territórios linguísticos. Cada expressão registrada neste trabalho carrega em si camadas de significado que transcendem a mera definição. Quando um pescador diz que "a maré está de lance", ele não está apenas descrevendo um fenômeno natural; está ativando um sistema completo de conhecimento sobre correntes, perigos, oportunidades e o timing exato da relação entre homem e mar.

Essas frases são ferramentas de sobrevivência tanto quanto redes e anzóis. São mapas cognitivos que orientam a vida cotidiana, são códigos que identificam pertencimento, são pontes que conectam o passado dos avós ao presente das crianças. Quando alguém diz "fulano está panema", não está simplesmente dizendo que a pessoa tem má sorte na pesca ou na caça,  está invocando todo um universo simbólico sobre destino, energia, equilíbrio com as forças da natureza, respeito aos ciclos e às entidades que habitam os domínios aquáticos e das matas .

O Risco do Silenciamento

Vivemos um momento histórico de profundas transformações. A juventude das ilhas, conectada ao mundo através de telas luminosas, absorve vocabulários globalizados enquanto expressões centenárias morrem nos lábios dos mais velhos. Não há julgamento nessa constatação apenas a urgência de registrar antes que seja tarde. Cada ancião que parte sem ter suas histórias e expressões documentadas leva consigo uma biblioteca inteira, um arquivo vivo de sabedoria que jamais poderá ser recuperado.

Este compêndio não pretende congelar a língua em uma forma idealizada do passado. Línguas vivas mudam, evoluem, incorporam novos elementos e isso é saudável. O que este trabalho busca é garantir que essas mudanças não aconteçam por apagamento, mas por escolha consciente. Que os jovens possam conhecer as expressões de seus avós e decidir quais querem manter vivas, quais querem ressignificar, quais querem deixar ir. Mas que essa decisão seja informada, não imposta pelo esquecimento.

Memória, Identidade e Pertencimento

A linguagem popular das ilhas não é ornamento folclórico  é estrutura fundante da identidade cultural. Quando uma criança aprende que existe uma palavra específica para designar o fenômeno de "piriricar" (quando os peixes saltam na superfície da água), ela está aprendendo a olhar para o rio com os olhos de quem conhece suas nuances, de quem sabe que a natureza não é um bloco homogêneo mas um tecido de eventos diferenciados que merecem nomes distintos.

Cada expressão aqui registrada é um fragmento de memória coletiva. O "cozidão de gurijuba" não é apenas um prato  é celebração comunitária, é momento de partilha, é memória gustativa que conecta gerações. O "curral" não é apenas técnica de pesca  é conhecimento ancestral sobre ciclos lunares, comportamento animal, geometria natural, trabalho coletivo. Quando preservamos essas palavras, preservamos mundos inteiros de significado.

 A Oralidade como Ciência

Há uma tendência equivocada de tratar o conhecimento oral como inferior ao conhecimento escrito, como se a ausência de registros formais indicasse falta de rigor ou profundidade. Este compêndio desafia essa hierarquia. As expressões aqui reunidas demonstram uma sofisticação analítica impressionante: distinções precisas entre tipos de marés, classificações detalhadas de estados de espírito, nomenclaturas específicas para ferramentas e técnicas que jamais aparecem em manuais técnicos urbanos.

Quando pescadores falam sobre "rebojo", "banzeiro", "lance" ou "lanço", não estão sendo redundantes — estão nomeando distinções reais entre diferentes comportamentos da água, cada um com implicações específicas para a navegação e a pesca. Esse é conhecimento científico no sentido mais puro: observação sistemática, categorização precisa, transmissão confiável de informação. O fato de não estar em laboratórios não o torna menos válido.

 Um Convite à Redescoberta

Este compêndio é, antes de tudo, um convite. Para os filhos das ilhas que migraram, é um caminho de volta para casa através das palavras que embalaram sua infância. Para os pesquisadores, é uma janela privilegiada para compreender formas de vida que resistem apesar da pressão homogeneizadora da modernidade. Para os educadores, é material pedagógico que permite ensinar não apenas gramática, mas história, ecologia, antropologia, geografia  tudo contido nas dobras de expressões aparentemente simples.

Para os jovens que ainda habitam as ilhas, este trabalho é um espelho: vejam a riqueza do que vocês possuem, a complexidade da linguagem que seus avós dominam, a sofisticação embutida em frases que vocês talvez considerem "atrasadas" ou "erradas". Não há nada de errado na língua de seu povo. Há apenas diferença  e diferença é riqueza, é diversidade, é múltiplas formas de ser humano coexistindo no mesmo planeta.

 Metodologia Afetiva

Este compêndio não nasceu de gabinetes acadêmicos nem de missões de pesquisa extractivistas. Nasceu do convívio, da escuta atenta, do respeito genuíno pela sabedoria popular. Cada frase aqui registrada foi vivida, dita em contextos reais, capturada no movimento natural da vida. Não há artificialismo, não há laboratório há apenas o esforço honesto de documentar a beleza do cotidiano linguístico das ilhas.

O trabalho de compilação é, em si, um gesto de amor. Amor pela terra, pelo povo, pela cultura que resiste. É reconhecimento de que aqueles que nunca publicaram livros, que talvez nunca tenham dominado completamente a norma culta urbana, são portadores de uma eloquência própria, de uma poesia cotidiana que merece ser celebrada e preservada.

 O Futuro que Escolhemos

Documentos como este compêndio não salvam línguas por si sós. Línguas vivem nas bocas das pessoas, nos usos diários, nas conversas de botequim e nas histórias contadas antes de dormir. Mas registros escritos cumprem papel fundamental: legitimam, valorizam, tornam disponível para quem vier depois. São sementes guardadas que podem germinar novamente se o solo cultural se tornar fértil.

O futuro da linguagem das ilhas será decidido pelas próximas gerações. Mas esse futuro será mais rico se houver conhecimento do passado, se houver consciência da diversidade que se pode perder. Este compêndio oferece essa consciência. Oferece também um arquivo de possibilidades: escritores que queiram criar personagens autênticos, roteiristas que busquem diálogos verossímeis, músicos que procurem sonoridades regionais, educadores que desejem ensinar através da valorização da cultura local.

 Palavras Finais

Há uma frase registrada neste compêndio que diz: "fulano só quer saber da boca de ferro na igreja". É sobre insistência, sobre não desistir, sobre manter a voz ativa mesmo quando seria mais fácil silenciar. Este compêndio é, de certa forma, uma boca de ferro — uma voz que insiste, que se recusa a deixar que o esquecimento vença, que afirma a dignidade e a beleza da fala popular.

Que este trabalho possa ecoar. Que possa inspirar outros registros, outras preservações, outras celebrações da diversidade linguística brasileira. Que possa fazer com que ao menos uma criança sinta orgulho da forma como seus avós falam. Que possa convencer ao menos um jovem de que migrar para a cidade não significa abandonar as palavras que o criaram.

As palavras estão aqui, registradas, preservadas. Mas seu destino  viver ou morrer, ecoar ou silenciar,  depende de nós. Depende de escolhermos honrar a complexidade do que fomos para construir a riqueza do que podemos ser. Porque, no final das contas, somos feitos de palavras tanto quanto de carne e osso. E as palavras das ilhas  essas que sabem a sal, que têm textura de rede, que carregam o peso da maré e a leveza da brisa  essas palavras merecem continuar sendo ditas, sendo vividas, sendo amadas.

Este compêndio é um começo, não um fim. É um convite para que outros escutem, registrem, valorizem. É uma prova de que a linguagem popular não é pobreza vocabular é riqueza de mundo, é precisão de experiência, é poesia sem pretensão de ser poesia.

Que as próximas gerações possam dizer, com conhecimento de causa, que suas palavras vieram do mar, da mata, da lida diária com a beleza difícil de existir em harmonia com a natureza. E que possam escolher manter vivas as expressões que seus ancestrais criaram para nomear o milagre cotidiano de viver nas ilhas.

De Britto, 2020  
Projeto Literário e Musical Primolius N° 0015

"Porque toda palavra que morre é um pedaço de mundo que se apaga  e as palavras das ilhas carregam mundos inteiros em suas sílabas molhadas de maresia."




Vamos frasear!

  1.  Fulano olhe no apecum a quantidade de maraquanim!
  2.  Sumano espia o arranco das pratiqueiras na Maré!
  3.  A fulana abriu no mundo quando souberam onde estava metida.
  4.  Te acoca aí menina que o teu pai já está chegando!
  5.  O ariramba só está esperando o momento de atacar o peixe!
  6.  Esse menino está com a arca caída de tanto lancear na maré!
  7.  Está bucha já está folozada de tanto tirar e retirar o parafuso!
  8.  Fica assim Fulano é o fona e eu serei o anti-fona no bozó!
  9.  Ao perder a ancora na maré, compadre teve que arranjar uma poita para poder pescar.
  10.  Menino! Abana mais forte este fogareiro!
  11.  Este menino é muito abelhudo quando sai de casa.
  12.  Antes da tempestade o capitão abicou a embarcação para a terra.
  13. Olha fulano não fica adulando este menino!
  14. Comprei uma ágda nova para fazer o vinho do açaí.
  15. Compadre ficou agoniado com a presença da morena na festa.
  16. Viu o fulano a migué no trabalho?
  17. A maré de ontem trouxe várias sementes de andiroba!
  18. Menina que vontade de comer ajiru!
  19. Se altiarem o volume do som! Ligarei para a Polícia!
  20. A canoa do compadre alagou no meio da travessia!
  21. Fulano está aperreado com a dívida que o filho dele deixou!
  22. Fulana estava muito apresentada na festa do Caju.
  23. Comadre chegou apurrinhada no trapiche vendo o marido chapado!
  24.  É só beber que este Caboclo fica arengueiro!
  25.  Menina antes de dormir vou me assear. Estou morrendo de calor!
  26.  Arre! Que esse tempo não passa!?
  27. Menino te arreda de mim!
  28. O compadre já até preparou todos os arreios para a pesca de amanhã.
  29. Comadre! Tome um chá de arruda para se acalmar!
  30.  Dona! Folha de arruda é bom para o mau olhado?
  31. Quando vi! A mão do compadre já estava até o talo no buraco no caranguejo.
  32.  Menina! A fulana atorou o pescoço do galo com muita raiva!
  33.  Fulana foi avechada para o retrete!
  34.  O fulano é tão avuado que nem para recado serve!
  35.  Fizemos o avoado lá mesmo na praia!
  36.  Este menino e todo azoado quando vai jogar bola!
  37.  Compadre ficou todo babão depois que se casou.
  38.  Fulano só deixou a babuje no prato e foi embora.
  39.  Esse zinho só é bafento perto da mãe.
  40. O barco do compadre foi para o beleléu na maré de "três ontem"!
  41.  Fulano ficou buiado com a venda da grude.
  42.  Bora logo embora daqui!
  43.  No quintal do Vizinho só tinha breguesso!
  44. Minha avó tinha uma bateria de panelas na cozinha.
  45.  A fulana mandou a comadre para a baixa da égua!
  46.  A menina começou a baldiar durante a travessia.
  47.  O compadre quebrou a baladeira do filho só de raiva.
  48.  Fulano bamburrou na venda do bandeirado.
  49.  Comprei um beijo de moça durante a viagem.
  50.  Compadre me deu uma banda de arraia.
  51.  O bandeirado tá muito gordo!
  52.  Menina o banzeiro de ontem estava muito feio!
  53.  Fulana ficou baqueada depois do cozidão de gurijuba.
  54.  Sumano comprou um porco barrão.
  55.  Fulano foi barrado da festa!
  56.  A maré quase derrubou o barranco da praia.
  57.  O beiço da fulana tá todo mordido de tanto beijar na festa.
  58.  O biloto da rabeta caiu na Maré?
  59.  Existem várias bitolas para tecer redes de pesca!
  60.  Compre qualquer berimbelo para este menina parar de chorar!
  61.  Compadre faça uma boca de lobo nesta rede!
  62. Ei Sumano! E melhor ter boca de siri por aqui!
  63.  Fulano é tão bocó que perdeu o dinheiro no próprio quintal.
  64. Comadre neste tipo de dor é melhor tomar chá de boldo.
  65.  O cachorro atravessou a maresia só na bubuia!
  66. A pata botou vinte ovos no ninho.
  67.  Fulano quis botar banca na partida de futebol! Foi vazado!
  68. A comadre botou no mato todas as roupas do "cheroso."
  69. A mãe botou quente no filho para estudar!
  70. Foi só fazer a batição que os peixes saíram da toca!
  71.  A rede de pesca ficou breada de peixe.
  72.  Menina vai tomar banho na bica que a água acabou!
  73. Compadre por quanto o senhor broca o terreno de casa?
  74. Comadre este coqueiro só está broca!
  75.  Fulano foi brocar na casa dele?
  76. Menina vá comprar na budega 1 kg de feijão.
  77.  Esse menino só vive tirando bustela do nariz!
  78.  Os meninos foram pescar de búzio.
  79.  Brechar é crime viu!
  80.  Se eu pegar um brecheiro aqui em casa eu mando prender.
  81.  Tem muita briba na parede de casa!
  82.  O bucho do compadre aumentou!
  83.  A comadre está buchuda de novo?
  84.  Pare de bulinar este cachorro!
  85.  Fulano parece ser bom de fêmea!
  86.  Fulano chegou boneco em casa!
  87.  Comprei beju para tomar café.
  88.  Essa brincadeira de bico de urubu não vai dar certo!
  89.  Fulana só quer saber da boca de ferro na igreja.
  90.  Deu tanto bodó na noite passada que as redes estragaram.
  91.  Leve uma boroca para guardar o dinheiro!
  92.  Vou jogar bozó de buraco com os meninos!
  93.  Fulano perdeu muito dinheiro apostando no bozó!
  94.  O bacio da vovó está cheio!
  95.  Pare de baculejar a comida!
  96. De tanto bordejar a embarcação a fulana desmaiou!
  97.  Antigamente as pessoas faziam camboas para pescar!
  98.  Ganhei um cheiro de minha filha.
  99.  O Carimbó é uma referência da cultura paraense!
  100.  Peguei um catrepa no jogo de futebol de ontem!
  101.  Parem com essa brincadeira de cachuleta!
  102.  Vai ver se tem chopp de maracujá na comadre!
  103.  Camboinha é uma vila que pertence ao município de Maracanã.
  104.  Fulano comprou 6 m de Cumarú para a sua embarcação.
  105.  Comprei um pacote de cacetinho para a merenda.
  106.  Fulano tem uma cacoeira para pegar peixe.
  107.  Comadre fez três caieiras no terreno!
  108.  Compadre trabalhou na capoeira por uma semana.
  109.  Pare de caçoar a sua irmã!
  110.  O caçuá do cavalo está desgastado!
  111.  Compadre está com dores na cadeira.
  112.  Fulano é muito cagado! Ganhou novamente no jogo.
  113.  O curimbó é um instrumento de percussão utilizado no Carimbó.
  114.  A Curupira é a protetora das matas.
  115.  Comadre fez um cozidão de gurijuba.
  116.  O cachimbo faz parte do Curral.
  117.  Fulana e cagada e cuspida igual a mãe.
  118.  Fulana parece uma caipora de tanto fumar!
  119.  Os calangos estão pegando sol!
  120.  Fulano foi trabalhar meio calibrado!
  121.  A queda fez um calombo na testa do menino.
  122.  Fulana trouxe uma cambada para jogar bola.
  123.  Fulano é meio cambota!
  124.  Na casa da comadre o caneco é de lata.
  125.  Estou sem caniço para a pesca.
  126.  Minha filha só andava no meu cangote quando criança.
  127.  Fulano capou o gato na madrugada!
  128.  Faça um chá de capim-santo para a merenda!
  129.  Durante a tempestade o capitão desprendeu-se da rede.
  130.  Fulano levou um carão do policial!
  131.  No barco do fulano só tinha caraca!
  132.  Cuidado que as caravelas já estão na água!
  133.  O casco do compadre está puxado!
  134.  Coloque na caverna da embarcação a sua sacola.
  135. O telhado da casa do meu avô é de cavaco.
  136.  Pare de dar cascudo na criança!
  137.  No cacuri do compadre deu muito peixe!
  138.  As curicas passaram gritando por aqui!
  139.  Fiz uma curica para meu filho empinar.
  140.  Falano fez uma catrapinagem com o próprio pai.
  141.  Fulano está com ceroto no pescoço.
  142.  Comprei um cesto para colocar o peixe.
  143.  Tirei uma chapa do pulmão!
  144.  Coloquei uma chapa entre os dentes!
  145.  Chegarei em sua casa na cheia.
  146.  Fulana ao dançar parece galinha ciscando no quintal.
  147.  Fulano já conseguiu a madeira para fazer a cinta do curral?
  148.  Na maré de ontem só deu cinturão!
  149.  Faça um chá de Cipó d'Alho para o teu intestino menina.
  150.  Amanhã será a cobrição do Curral.
  151. Menina compra um corante na budega para o arroz!
  152. Só sobrou um cotoco de macaxeira na panela!
  153.  Cuidado com a croa perto do furo!
  154.  Cuidado com a croa desta criança!
  155.  Fulano é que nem grilo! Cri, cri demais!
  156.  Tem um Cururu atrás da porta!
  157.  Fulano contratou dois curralistas.
  158.  Fulano e tão panema que só pega cutuca na maré!
  159.  Vê se tu não custa para chegar em casa!
  160.  A viagem foi custosa pelo braço do rio!
  161.  A madeira da cumieira esta sendo comida por cupins!
  162.  A cumiera está cheia de Cabas!
  163.  Fulano cortou três ciriubas para a barraca.
  164.  Antigamente o nome da cidade de Maracanã era Cintra.
  165.  Menina para de comer camapu e vem almoçar!
  166.  O Camamba é um bairro da Vila de Algodoal.
  167.  Fiz uma cangula para o meu filho empinar.
  168.  A rabeta do fulano passou chutada por aqui!
  169.  Credo! Não como isso!
  170.  Fulano foi capinar o terreno.
  171.  O capote da vizinha é muito barulhento.
  172.  Fulano foi trabalhar chapado?
  173.  Chapado é o nome de um bairro de Camboinha.
  174.  Fulano so vive charlando a vizinha!
  175.  Foi de rocha as palavras do prefeito.
  176.  O vatapá desandou na panela?
  177.  Não tinha nada de comer no arrraial.
  178.  Só deu o tempo de chegar em casa e discomer o vatapá.
  179.  O menino não queria descair a linha do papagaio.
  180.  Rapidamente o homem foi desistir na privada.
  181.  Fulano foi despescar o peixe no curral!
  182.  Na escola! Só danação daqueles zinhos!
  183.  Agora danou-se o problema!
  184.  Fulano deu fim no dinheiro do pai!
  185.  Deu na fraqueza após o vinho de açaí.
  186.  Fulano deu um grau no motor.
  187.  Deu prego no motor no meio do furo!
  188.  Fulano deu um agrado para os eleitores.
  189.  Fulana deu um carão no vereador!
  190.  A população deu uma prensa no responsável.
  191.  Fulano deu uma forra ao compadre!
  192.  De primeiro as coisas eram mais simples.
  193.  Comprei várias mangas de vez.
  194.  O derradeiro barco já chegou?
  195.  Fulano chegou desembestado da mata.
  196.  Fulano deixou desmantelar o motor.
  197.  Fulano ficou destrambelhado depois da morte do cachorro.
  198.   Só tem gente destreinada neste campo!
  199. Esse juiz de futebol é um fulera!
  200. Só teve fuleragem naquele torneio!
  201. Fulano ficou com dor de ve... no campo!
  202. De novo! Égua não?
  203.  Se tu fizeres novamente! Eras de ti!
  204.  Espia como esse menino come.
  205.  Eu choro se tu voltar pra ela!
  206.  Fulana ficou encandeada com a luz da lanterna.
  207.  Eras, tu não farias isso por mim?
  208.  Fulana ficou empanzinada de tanto comer.
  209.  Fulano está empapado de tanto tomar açaí.
  210. Fulano ficou empachado de tanto comer e beber!
  211.  Fulano está empanturrado de tanto trabalho.
  212.  Fulana foi toda emperiquitada para a festa.
  213.  Fulano emprenha pelos ouvidos dos outros.
  214.  Na enchente fulano foi pescar?
  215.  Fulana só vive encangada com aquela turma!
  216.  Fulano encardiu a roupa de dormir.
  217.  Fulano só vive encasquetando a menina!
  218.  Fulano ficou encostado no time.
  219.  Fulano está encruado, pois já faz um ano que nao tem namorada.
  220.  Fulana engomou a roupa para ir a missa.
  221.  Fulano está entojado do seu patrão.
  222.  Fulano está entrevado de tanto dançar!
  223.  Fulano está se envergando de tão alto.
  224.  Fulano está muito enxerida para o lado do compadre.
  225.  Pode ser até o escambau! Mas eu quero tudo!
  226.  Fulano escangalhou o brinquedo da criança.
  227.  O peixe escapuliu das mãos do pescador.
  228.  Fulano está espumando de tanta raiva.
  229. Fulana está se esgoelando para chamar o filho!
  230. Levaram o esgote de novo!
  231.   Fulano só anda esmulambado com aquela roupa!
  232.  Fulana é espivitada de nascença!
  233.  Espia só esse menino dançando!
  234.   O meu espinhaço está doendo!
  235.  Cuidado com espinhel nas mãos!
  236.  Fulano está com a espinhela caída. Tem que rezar!
  237.  Comprei um extrato para minha avó.
  238.  Fulano anda estribado, não sei por quê?
  239.  Holanda ficou muito istorde depois que morou na cidade.
  240.  O peixe ficou de isturricado na brasa!
  241.  Fulano é um estrupício em minha vida.
  242.  Meu filho foi empinar a curica que eu fiz para ele.
  243.  A canoa do fulano já está fazendo água!
  244. A comunidade foi fazer o quarto para o finado.
  245.  Compadre pegou um filhote e vendeu por um preço bom.
  246.  Deixei a embarcação no furo velho?
  247.  Comadre só vive implicando com a vizinha.
  248.  Pare de futucar esta ferida!
  249.  Nem chame aquele! Ele ele é muito furão!
  250.  A festa só foi o filé!
  251.  Esse menino tá muito novo para estar falando nome que não presta.
  252.   Fulana só vive com fastio!
  253.  Fulano puxou o ferro na Maré.
  254.  O assaltante puxou o ferro! Mas se ferrou!
  255.  Fulano ficou ferrado depois do trabalho.
  256.  Fulano estava de mutuca esperando o marido.
  257.  Fulano é muito futriqueiro!
  258.  Alguma coisa tá fedendo por aqui!
  259.  Fulana está muita gaiata!
  260.  Fulano só faz gambiarra no motor dos outros.
  261.  Fulana ficou gabola depois de casar.
  262.  Mandei fazer uma garrafada para essa menina.
  263.  A voz desta zinha é gasguita! Só vive gritando!
  264.  Me dá uma gastura só de ver está cena.
  265.  A goela deste zinho está inflamada.
  266.  Fulano pegou um golpe no pé
  267.  As galinhas da vizinha estão todas goguentas?
  268.  Naquela pia de cozinha só tem grude de sujeira.
  269.  Fulano deu uma guaribada no barco.
  270.  Hum... Tá que eu vou!
  271. A pintura da canoa ficou istordi, diferente.
  272.  Fulana ficou iscabreado depois da briga.
  273.  Fulano iscapuliu!
  274.  O pescoço deste zinho só esta impinge!
  275. O cavalo empacou na viagem.
  276.  A bandeira ficou encarnada.
  277.  O rosto do pescador ficou encricrilhado de tanto sol.
  278.  Tem uma inhaca muito forte naquele caminho.
  279. Fulano é espora com os empregados dele!
  280.  Fulano já foi engalobar a mãe dele.
  281.  Deu uma íngua na virilha depois que comeu o camarão.
  282.  Fulano gosta de espiar o mar.
  283.  O barco está na ilharga do furo!
  284.  Fulano não cresce! Ficou entanguido.
  285.  Mas quando já?
  286. Fulano foi comprar meio quilo de jabá na Bodega.
  287.  O jerimum da vizinha foi roubado.
  288.  O jegue do fulano comprou um motor que não presta!
  289.  Pulou uma jia bem no prato da vizinha!
  290.  O jirau está cheio de peixe.
  291.  Do jucá fizeram um remédio para a garganta.
  292.  Fulano foi capinar mais uma juquira.
  293.  Fulano ficou na juquira depois daquela ocasião.
  294. O moleque levou o farelo!
  295. As lamparinas estão voltando!
  296.  No lanço devemos ter muito cuidado com a maresia.
  297.  Comprei uma Laranjinha na cidade.
  298.  Fiz um lambedor para o moleque ficar bom da gripe!
  299. Fulana parece uma lambaia quando vai para a casa do fulano!
  300.  A maré está de lance? Cuidado!
  301. O fulano foi lancear com o compadre?
  302.  Fulano atravessou de lancha para Marudá.
  303.  Fulano está todo lanhado de unha do gato!
  304.  Fulano cortou o peixe com um lanho errado!
  305.  Comprei uma lata de farinha do sumano.
  306.  Olha a Lapa do peixe que eu comprei!
  307.  Fulano pegou uma lapada de cipó nas costas!
  308.  Fulana bebeu o remédio numa lapada!
  309.  Fulano ficou largado depois da separação!
  310. Fulana ficou lascada depois do acontecido!
  311.  Foi a maior lasqueira após o final da festa!
  312.  Fulano lavou a égua com a venda do terreno!
  313.  Foi um lenga lenga aquele futebol de ontem!
  314. O árbitro era tão lerdo que até esqueceu os cartões do jogo.
  315.  O motor da rabeta do fulano é muito panema! Veio na maré quase parando!
  316.  Fulano tá com a leseira do ciúme!
  317.  Depois de velho ficou leso!
  318.  Fulano só anda liso!
  319.  Dizem que o Maraquanim é bom para o amor!
  320.  Mas quando já que ele disse isso!
  321.  Mas credo! Já começaram a roubar no baralho?
  322. Foi muita largura daquele barco na maré!
  323.  As crianças estão brincando de macaca?
  324.  Não gosto de frutas machucadas!
  325. Fulano acabou magoando o dedo!
  326.  Fulano é Malino com as crianças!
  327.  Fulano foi acostumado a ser maluvido!
  328.  Comprei uma malhadeira de nylon para pesca!
  329.  Meu tio toca o milheiro no conjunto de Carimbó!
  330.  Fulano so vive mangando dos outros!
  331. Roubaram até o mangote do motor?
  332.  A "mão" deste cachorro está cheio de pulgas!
  333. Fulana tem muito maruim na beira?
  334.  Fulano joga esse lixo no mato!
  335. Mas tá que eu empresto a minha rede!
  336.  Está matraca não para de falar?
  337.  Fulano foi matutar na rede!
  338.  Fulano pediu meiota de querosene para a lamparina.
  339.  O mexilhão feito com o tempero certo é ótimo!
  340.  Este zinho é mexilhão na casa dos outros!
  341.  Fulana pegou uma mijada da mãe!
  342.  Lavem os pés para não pegar o mijacão!
  343. Cuidado com o ferrão do peixe miquinho?
  344.  As crianças foram pegar mirim no mato?
  345.  Fulana ultimamente anda com uma momo!
  346. Fulana ficou com um mondrongo na cabeça!
  347.  Fulano está mordido com o irmão!
  348.  Fulano ficou moído com o sol!
  349. Fulana foi moquear o peixe!
  350.  A muruada já está pronta do curral?
  351.  A muruacao será feita amanhã?
  352.  Fulana chegou com uma murrinha!
  353.   Fulano caiu do muta?
  354.  O matapi se quebrou com a maré?
  355.  Tem muita mutuca no caminho!
  356.  Fulano está mufino!
  357.  Ficou muito palha o nome daquela embarcação!
  358.  Nem te bate com essas coisas!
  359. O muzua do compadre é bom!
  360.  Me erra quando estiver perto de mim!
  361. Fulana pegou uma moreia na pescaria!
  362. Tem mondubim a venda na taberna do fulano...
  363. Fulano pagou no pau o motor da rabeta!
  364.  Fulano deixou o outro na lona!
  365.  Fulano pegou na marra a bola da criança!
  366.  Fulano está com uma nascida no glúteo!
  367.  Fulano tá com uma "noda" na camisa de caju.
  368.   Fulano sempre foi no-cego! Até quando?
  369. O pescador deu um nó de porco na corda!
  370.  Tem muita osga na casa do fulano!
  371.  Compadre! Os peixes já começaram a piriricar no rio?
  372.  Fulano comprou a paragem do compadre?
  373. Fulano é muito prego! Enganaram ele de novo?
  374.  Já faz um ano que Fulano está panema na pesca.
  375. O motor do fulano pipocou na Maré.
  376.  Papoco a lâmpada no fogo!
  377.  Para o ano eu compro a minha rabeta.
  378. Para o mês eu terminarei de pagar a paragem.
  379.   Fulano mandou fazer um pari para o seu irmão.
  380.  Esse peixe está passado! Não presta!
  381.  Fulano ficou passado com a notícia.
  382.  Fulano fez a casa dele de paxiúba.
  383.  Fulano adora potocar a vida dos outros!
  384.  O rapaz usou a pecúnia para subir?
  385.  Fulano pegou o beco após a pescaria.
  386.  A geleira foi para o pesqueiro?
  387.  Fulano está com uma pereba que não sara.
  388.  Está picica do compadre não sai!
  389. Fulano, está um pitiú de cobra por aquí!
  390. Mas que pixe este menino tem!
  391.  Esse menino só gosta de potcho!
  392.  Esse menino está muito parrudo! Olha a Alimentação!
  393.  Olha a purruda desta tartaruga!
  394.  O porronca da comadre vai longe!
  395.  Comprei um puca do compadre!
  396.  Só tem papá isca no curral do compadre!
  397.  Tem muito quatipuru naquela árvore!
  398.  Quebrou a rabada do compadre?
  399.  A rabeta do compadre é nova?
  400.  O rebojo da maré está muito forte.
  401.  Coloquei uma rede de espera na maré da noite!
  402.  Está menina só está remela!
  403.  Aquele peixe é remoso, pois não dá para comer!
  404.  Fulano foi para o retiro salgar o peixe?
  405.  O retrete do compadre está para cair!
  406.  Tem uma ruma de garça lá no teu curral!
  407.  Fulano semeia a tarrafa perfeitamente!
  408.  O Curral do fulano estás sao! Muito fedido!
  409.  Na maré de ontem os pescadores saíram para fora.
  410.  Fulano está saru desde ontem!
  411.  Fulana sapecou o peixe no fogo!
  412.  Pegamos uma lata de sarnambi nas pedras.
  413. Tem muitas sapequaras nas pedras?
  414.  No próximo mês teremos o "Suata"?
  415. Os pescadores foram pegar tamaru para isca?
  416.  Está vindo um toró no horizonte!
  417.  Tu jura que ele vai fazer o que prometeu?
  418.  Veja o talha-mar daquela embarcação!
  419.  Fulano foi tariar o peixe para a venda.
  420. Tem muito tatuzinho na embarcação do cumpadre.
  421.  O barco dos pescadores já está no tilheiro?
  422. Deve-se respeitar a tiração deixando as fêmeas e os filhotes.
  423.  Fulano está com a perna só tuira.
  424.  As crianças foram pegar miri na mata.
  425.  Fulano urdiu aproximadamente 200 palhas num dia.
  426.  Cuidado com as urtigas! Já estão no mar!
  427. O coqui que o caboco pegou no coco, estalou na venta!
  428. Fulano só tá vendendo  a grude! Nem comer qué!   

Copyright de Britto, 2020
Projeto Literário e Musical Primolius N° 0970